HomeHomeHomeHome
Quem Somos | Enciclopédia | Dossiers | Visitas Guiadas | Relatórios | RPSP
Pesquisar:
 
Pesquisa Avançada
 

 Sistema de Saúde
 Evolução do sistema
 Desempenho
 Observatórios
 Tracers
 Investigação e evidência
 Outros países
  
 
 
Um projecto:
Observatório Português dos Sistemas de Saúde
Escola Nacional de Saúde Pública
Financiado:


Com o apoio:
Associação Portuguesa para a Promoção da Saúde Pública
  
Área reservada »

Cenários de impacto de uma eventual pandemia de gripe na população portuguesa: mobilidade, mortalidade e necessidade de cuidados de saúde

Baltazar Nunes; Isabel Falcão; José Marinho Falcão; Ausenda Machado; Paulo Nogueira; Emanuel Rodrigues; Eleonora Paixão
 
Introdução — O presente estudo descreve os cenários de impacto que uma eventual pandemia de gripe poderá ter na população portuguesa e nos serviços de saúde. Trata-se de uma versão actualizada dos cenários preliminares que têm vindo a ser elaborados e discutidos desde 2005.
Material e métodos — Os cenários assumem que a pandemia ocorrerá em duas ondas das quais a primeira (taxa de ataque: 10%) será menos intensa do que a segunda (taxas de ataque: 20%, 25% ou 30%). Neste trabalho são descritos apenas os cenários respeitantes à situação mais grave (taxa de ataque global = 10% + 30%).
A elaboração dos cenários utilizou o método proposto por Meltzer, M. I., Cox, N. J. e Fukuda, K. (1999) mas com quase todos os parâmetros adaptados à população portuguesa. Esta adaptação incidiu sobre:
 
1. duração da pandemia;
2. taxa de letalidade;
3. percentagem da população com risco elevado de complicações;
4. percentagem de doentes com suspeita de gripe que procurará consulta;
5. tempo entre o início dos sintomas e a procura de cuidados;
6. percentagem de doentes que terá acesso efectivo a antiviral;
7. taxa de hospitalização por gripe e tempo médio de hospitalização;
8. percentagem de doentes hospitalizados que necessitarão de cuidados intensivos (CI) e tempo de internamento em CI;
9. efectividade de oseltamivir para evitar complicações e morte.
 
Resultados — Os cenários correspondentes à situação mais grave (taxa de ataque global: 10% + 30%) são apresentados sem qualquer intervenção e, também, com utilização de oseltamivir para fins terapêuticos.
Os resultados sem intervenção para o cenário «provável» indicam:
 
•   número total de casos — 4 142 447;
•   número total de indivíduos a necessitar de consulta — 5 799 426;
•   número total de hospitalizações — 113 712;
•   número total de internamentos em cuidados intensivos — 17 057;
•   número total de óbitos — 32 051;
•   número total de óbitos, nas semanas com valor máximo — 1.a onda: 2551, 2.a onda: 7651.
 
Quando os cenários foram simulados entrando em linha de conta com a utilização de oseltamivir (considerando uma efectividade de 10% e 30%), verificou-se uma redução dos valores dos óbitos e hospitalizações calculados.
O presente artigo também apresenta a distribuição semanal, no período de desenvolvimento da pandemia, dos vários resultados obtidos.
Discussão — Os resultados apresentados devem ser interpretados como «cenários» e não como «previsões». De facto, as incertezas existentes em relação à doença e ao seu agente não permitem prever com rigor suficiente os seus impactos sobre a população e sobre os serviços de saúde. Por isso, os cenários agora apresentados servem, sobretudo, para fins de planeamento. Assim, a preparação da resposta à eventual pandemia pode ser apoiada em valores cujas ordens de grandeza correspondem às situações de mais elevada gravidade. Desta forma, a sua utilização para outros fins é inadequada e é vivamente desencorajada pelos autores.
 
Palavras-chave: gripe; pandemia; morbilidade; mortalidade; serviços de saúde; epidemiologia; estudos epidemiológicos